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Milão

Um caldeirão italiano. Assim poderia ser definida esta cidade que mistura tão bem o requinte da moda com elementos do caos urbano. Milano – como a chamam os italianos é o encontro do progresso com o atraso, da riqueza e pobreza, da tradição com o submundo da contracultura. Tudo isso em meio às mais diversas ideologias e povos vindos de todas as partes da Itália somados a muitos estrangeiros. Confuso? Sim, mas principalmente fascinante.

Com uma capacidade nata de inovação, Milão supera o que se espera de uma grande cidade, por sinal, o maior centro comercial, industrial e financeiro da Itália. A efervescência da Bolsa de Valores mais importante do país divide espaço com o silêncio de museus, palácios, igrejas e catedrais como aquela que é o marco da cidade: Duomo, a terceira maior catedral do planeta, atrás apenas da Catedral de São Pedro, no Vaticano, e da Catedral de Sevilha, na Espanha. São 92 metros de altura que levaram mais de dois séculos para serem erguidos, a partir de 1386 (sim, o ano é mil TREZENTOS e oitenta e seis). A junção dos estilos gótico, barroco, neoclásssico e neogótico transformam a visita em uma aula de arquitetura ao ar livre. E se o assunto é ar, o passeio pelo teto da catedral ao lado de centenas de imagens esculpidas e gárgulas (aquelas, como as que ficaram eternizadas em O Corcunda de Notre Dame)  é de tirar o fôlego. Além disso, ainda há o museu da catedral, com imagens e detalhes do período de construção do Duomo.

Mas o estilo inigualável não fica restrito a arquitetura. Estilo, por sinal, é palavra recorrente em Milão. Nomes como Armani, Prada, Fendi, Gucci e Versace mantém bases de suas grifes na cidade. A chamada Fiera, semana de moda de Milão, é  aguardada por fashionistas de todo o mundo ávidos por conhecer as novas tendências daqueles que ditam o que deve ou não ser usado por homens e mulheres dos cinco continentes.

E se os homens se interessam menos por moda que as mulheres, Milão também sabe cativar a audiência masculina. Não é preciso ser fanático por futebol para saber que Milan e Internazionale são dois dos times de ponta no futebol mundial. No aclamado estádio San Siro, um clássico entre as duas equipes da cidade não fica devendo em nada a um legítimo Fla X Flu, no quesito paixão. Nem nos nomes entoados em coro pela torcida. Cada vez mais brasileiras, as equipes têm como astros Kaká e Adriano, titulares da seleção brasileira na Copa 2006.

Pensando bem, este é o único ponto que talvez cause um certo desconforto nos brasileiros: ser lembrado pelos milaneses (ou neste caso, por qualquer italiano)
que são eles os atuais campeões mundiais.

Nada que um simples passeio pela cidade não nos faça esquecer. Pronto?

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Informações Úteis
Área total: 182 km²
População: 4.280.820
Código internacional: +39
Cultura

Além do Duomo e seu museu (ingressos a 3 euros), vale visitar os palácios de Milão. O principal deles fica à direita da catedral, na mesma praça (Piazza del Duomo, estação Duomo do metrô). O Palácio Real (ou Palazzo Reale) foi construído para a família real italiana no século XIV e totalmente reformado entre 1772 e 1778. Durante a II Guerra Mundial sofreu graves avarias que ainda podem ser vistas em algumas de suas salas. O ingresso para uma pessoa custa 4 euros.

monumento_davinci_180Próximo a dois outros palácios (Delle Stelline e Stanga) igualmente belos, há um tributo a Leonardo da Vinci na cultura de Milão. Embora tenha sido aclamado como pintor, é a outra faceta do gênio italiano autor da Gioconda (ou Monalisa, se preferir) que aparece no Museo della Scienza e della Técnica Leonardo da Vinci (estação Sant´Ambrogio do metrô). Sim, da Vinci foi um dos principais inventores que a humanidade já produziu. Entre suas criações estão o “parafuso aéreo”, uma espécie de precursor do helicóptero e até mesmo um submarino. No museu, que funciona no antigo monastério de San Vittore você pode percorrer 28 salas ao lado dos protótipos e experimentos de diversos inventores. Principalmente daquele que dá nome ao lugar. Fecha apenas às segundas-feiras e tem ingressos a 3 euros.

Se o seu interesse for por uma volta praticamente real ao passado, anote o endereço: via Palestro, 16 (estação de metrô de Palestro). É lá que está, desde 1790, a Villa Real. Sede da Galeria de Arte Moderna de Milão, o suntuoso palácio rivaliza em atenção com os jardins à sua frente por onde já passearam, por exemplo, o imperador francês Napoleão e sua amada Josephine em meio a ruínas do império romano. O melhor: tudo isso, de graça.

Gostou de não pagar nada? Então, outra excelente pedida é a Pinacoteca di Brera (estação Cairoli do metrô), inaugurada em 1809. É lá que estão alguns dos maiores tesouros da arte italiana do século XV, entre eles, O casamento da Virgem, uma das mais famosas obras de Raphael, um dos mestres da pintura e referência obrigatória nas artes plásticas.

Mas estamos na Itália e comer, por aqui, é coisa séria.

Comida

Comecemos com os horários dos restaurantes, que seguem sempre o mesmo padrão. Almoço do meio-dia às 3 da tarde e jantar das sete e meia às 11 da noite. Após isso, é possível achar boas pizzarias abertas até duas da manhã, entre elas, a mais famosa: Di Gennaro, ao lado do Duomo, onde você mesmo pode preparar o recheio de sua pizza. Se rolar uma saudade do Brasil, acredite, há um Porcão por lá. Uma das churrascarias mais famosas do Rio de Janeiro tem uma filial próxima a estação Gioia do metrô. Outra curiosidade: acredite, muitos dos restaurantes de Milão fecham durante todo o mês de agosto. Há quem diga que é pelo calor, outros porque o movimento cai, mas os mais crédulos desconfiam que tem algo a ver com o mau agouro atribuído ao mês. Vai entender...

Em restaurantes italianos, a quantidade de comida bem como a fartura de vinhos podem impressionar e dar a impressão errada de que tudo aquilo sairá muito, mas muito caro. Naturalmente há locais para todos os bolsos, mas mesmo os mais baratinhos seguem o lema da mesa farta. Nem tão caro nem barato, o mais badalado e freqüentado pelos jovens do mundo da moda é o La Libera (estação Lanza do metrô) com excelentes saladas e pizzas crocantes. Uma refeição para duas – ou até três pessoas por lá custa cerca de 35 euros.

cafe_130X87Em meio a entradas, primeiro prato, segundo prato e sobremesas quase sem fim vale a dica para o final. Cuidado ao pedir café em Milão. Café, dito assim, como costumamos no Brasil é, no mínimo, uma solicitação incompleta ao garçom. Complicou? É que são tantas as variações da bebida que ao pedir o tradicional cafezinho você receberá do funcionário algo muito próximo de uma carta de vinhos, mas com os seguintes itens: caffé ( o famoso espresso), caffé ristretto (um espresso bem forte), caffé corretto (com um licor fortíssimo, a grapa), caffé americano (fraquinho), caffé freddo (gelado), macchiato (com uma gota de leite), caffé latte (café com leite), capuccino e...ufa. Com tanto café assim no jantar fica impossível dormir cedo.

Mas quanto a isso não há com o que ficar preocupado. Você está em Milão.

Noite
Os clubes, danceterias e casas de jazz nos bairros de Brera e Navigli garantem a diversão na noite da cidade, mas por mais que você deteste ópera é impossível que nunca tenha ouvido falar de um lugar específico: Teatro alla Scala (estação Duomo). Sim, o Scala, de Milão. Inaugurada em 1778, a casa de óperas tornou-se a mais famosa do mundo, imitada em sua arquitetura e invejada por sua acústica em qualquer lugar onde tente-se montar uma ópera no planeta. O teatro pode determinar o sucesso ou o fracasso de uma ópera e, pelo seu majestoso palco já passaram maestros e compositores como Puccini, Verdi, Toscanini e...bem, quem já fez sucesso internacional, com certeza, passou pelo Scala. Mesmo com 2 mil lugares na platéia, a venda é restrita a dois ingressos por pessoa e não é raro haver fila de espera ou, simplesmente, noite com ingressos completamente esgotados.
Compras
compras_180X120Você não achou que iríamos falar de Armani, Prada, Gucci e cia. só de passagem, não é mesmo? Sim, estas são algumas das grifes mais caras do mundo, mas nesta hora, não importa. Nem que seja apenas para olhar, sonhar e buscar inspiração para reformar aquela peça que há anos repousa em seu guarda-roupa, um passeio pelo chamado quarteirão da moda é deslumbrante. O que não está na via Monte Napoleone está na Sant´Andrea ou na della Spiga (todas na estação Montenapoleone do metrô). E se você for mulher e a-do-rar sapatos (se é que há alguma no mundo que não goste...), sim Giancarlo Ferré, um dos papas do design de calçados também está em Milão. Especificamente na via della Spiga, número 11.
Transporte
Metrô, metrô e metrô. Uma grande placa vermelha com um M em branco. É o que você mais verá em Milão. Com uma das principais malhas metroviárias da Itália, a cidade conta com 3 linhas, a vermelha, que atravessa a cidade de leste a oeste, a amarela, que vai de norte a sul e a verde, que faz conexão com as principais estações de trem. O metrô funciona diariamente, das 6 da manhã à meia-noite. Após este horário, há ônibus que circulam pelo mesmo roteiro das estações. As passagens são vendidas automaticamente em máquinas dispostas em cada estação e há bilhetes para 24, 48 horas ou uma semana de trânsito ilimitado pelo metrô, ônibus e trens. Os preços variam de 3 a 18 euros.
Informações Gerais
  • Vivem em Milão 1 milhão 308 mil 735 pessoas, muitos deles imigrantes, de acordo com o último censo, realizado em 2006.
  • Fuso horário: dependendo da época do ano, com ou sem horário de verão (entre junho e agosto), pode ser 3 ou 4 horas a mais em relação a Brasília.
  • Idioma: italiano com um sotaque milanês irresistível e indescritível. Só ouvindo para entender.
  • E sim, obviamente, eles fazem o melhor bife à milanesa do mundo, disponível na grande maioria dos restaurantes da cidade, inclusive naqueles citados acima.
  • Uma última dica: a água é límpida e cristalina nas centenas de fontes (bicas) espalhadas pelas calçadas. Beba sem preocupação e economize seu dinheiro.

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