Semana 13
Trabalhe como se não precisasse do dinheiro...
Terça, 17/07/2007
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... ame como se você nunca tivesse se machucado e dance como você dançaria se ninguém estivesse olhando!
E foi assim que eu tentei passar cada uma dessas 13 semanas. Com certeza esse foi o período de maior exposição da minha pessoa, até mesmo para mim! Nunca me testei tanto, analisando todos os meus ideiais e reestruturando alguns valores pessoais. Não sou melhor nem pior do que ninguém, apenas eu mesmo, uma questão colocada ao mundo e devo fornecer minha resposta. Dancei como se ninguém estivesse me olhando, pois acho que dessa forma acabamos descobrindo quem realmente somos, as nossas limitações e potenciais.
Muitas pessoas me ajudaram nessa caminhada e ainda fico encabulado quando estou frente a frente com elas, pois não tenho como pagar toda a ajuda que me deram. Às vezes fico imaginando quão pequenos são os tesouros do mundo para retribuir um sorriso ou o conselho de um amigo. Pessoas marcam a nossa vida! O que são alguns segundos na sua vida? São o maior tesouro que uma pessoa pode ter. Se chegassem para alguém no leito de morte e lhe oferecessem 1 dia a mais de vida, pode ter certeza que essa pessoa entenderia o verdadeiro valor do tempo. Por isso, todos temos grande responsabilidade quando lidamos uns com o outros.
Por exemplo, tenho uma grande responsabilidade neste texto que estou escrevendo, pois estou tomando um certo tempo da sua vida na leitura do mesmo. Esse tempo não voltará mais, porém terei conseguido aproveitá-lo ao máximo se causei algo positivo no seu dia. E esse foi o objetivo dos meus posts...
Tentei fazer tudo da mehor forma que pude, não por dinheiro, não por glória, não por aceitação, mas pela vontade de viver cada dia da melhor forma que um ser humano pode viver. Se eu consegui incendiar vocês com essa mesma vontade, sentirei que as minhas palavras cumpriram a sua missão.
Desde o primeiro dia dessa aventura, passei por um turbilhão de sentimentos e emoções. Não vou listar aqui, mas tudo isso tem esculpido um desejo cada vez maior dentro de mim: Ser útil!
Mochilão 2006/7 - 14 países
Meu, que tremenda viagem!!!
Desde o primeiro dia que entrei na CI, senti que estava começando um período de aprendizado ao extremo! Isso mesmo, logo no primeiro momento deu para sentir no ar um clima deliciosamente desafiador, com certeza essa experiência exigiria tudo de mim e eu estava achando isso o máximo. Nada como algo assim para te estimular a crescer em relação a si próprio. Por isso, acho que o pessoal do marketing deveria se chamar Time do Desafio! Essa galera me deu todo o suporte como Viajante CI e como pessoa. Recebi conselhos valiosos acerca de alguns dilemas pessoais.
Pouco a pouco fomos dando forma a esse mochilão. O apoio da Luiza Noce e da Ana Antoniazzi foram impagáveis!!! Depois veio o João e somou aquela força ao time. Hoje vejo todos como parte da família.
Aos poucos fui conhecendo muita gente na CI, pessoas com sorrisos estampados no rosto e muita energia!!! Um clima super vibrante e dinâmico que se reflete pelos diretores. O espírito jovem de toda a galera, contagia!
Menção honrosa à Bruna, que foi a primeira pessoa que eu vi quando cheguei no prédio da CI. Conversamos um tempão enquanto eu esperava o pessoal do marketing voltar do almoço, instantâneamente nos tornamos super amigos! Adoro conhecer pessoas que curtem uma boa conversa!
Antes de terminar esse último post, gostaria ir para o confissionário de viagem:
Confesso:
* Gelei quando desci do avião em Londres.
* Não tomei banho todos os dias da viagem
* Esqueci minha câmera numa cabine de tickets em Cardiff e só lembrei uma hora depois
* Não liguei para casa todos os dias
* Me acabei nas barras de chocolate
* Confundi e sentei no banco do motorista num taxi que peguei em Keswick
Tem muitas outras coisas, porém conto pessoalmente depois...
É muito melhor ousar coisas difíceis,
conquistar triunfos grandiosos,
embora ameaçados de fracasso,
do que se alinhar com espíritos medíocres
que nem desfrutam muito nem sofrem muito,
porque vivem em uma penumbra cinzenta,
onde não conhecem vitória nem derrota.
Pra quem ainda não sabe o meu e-mail, aí vai: eberguny@hotmail.com
No Orkut estou como Eber Guny
Lá poderemos manter contato e vocês ainda saberão das minhas aventuras nos finais de semana.
É isso aí, nos encontramos por esse mundão!!! Muito sucesso e já comecem a juntar a grana pra o mochilão de vocês!!! América do Sul, Europa, Austrália, África... existe um mundo fantástico lá fora! Conquiste-o!
THE END
Chega de roer as unhas!!!
Segunda, 16/07/2007
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Bem pessoal, o post de hoje vai ser rapidinho, pois estou preparando uma despedida bem legal, contando todas as minhas conclusões em relação à viagem e agradecimentos gerais.
Mas como sei que vocês estão ansiosos pra saber o resultado dos desafios, decidi fazer essa divulgação já!
Então, fiz uma seleção em Skye na Escócia, junto com uns ingleses-alpinistas (nada mais aventureiro) e chegamos a decisão do seguinte nome para o mascote:
Mr. NIKI
Porém, percebi que havia esquecido de colocar um dos nomes no páreo!!! Sir Hitchhiker
Quando cheguei aqui no Brasil, fiz outra votação com alguns amigos, e o resultado foi:
Mr NIKI
Portanto, logo logo estarei em Santa Catarina entregando o pequeno Niki nas mãos da Ana Luiza Gomes!!!
Parabéns Ana!!! Você ganhou em duas votações!!!
Continuando...
O sorteio foi mais impressionante ainda! Pedi para uma amiga escolher um numero de 1 a 20. Ela não estava entendendo nada, mas falou 17! Exatamente o número escolhido pela Michele Porto, que acaba de ganhar a camiseta do Manchester United!!! Lembrem-se que não tinhamos os 20 números escolhidos, de 0 a 20 apenas 6 números haviam sido indicados.
Gostaria que as meninas me mandassem um e-mail com o endereço certinho para que eu possa estar me programando para chegar até vocês!!! Será super legal conhecer um pouco da cidade de vocês, com vocês!!!
Abração e mais uma vez...
Parabéns!!!
O pessoal que não ganhou desta vez, tem que ter em mente que o que importa é participar! hahaha Nada consolador, mas tenho certeza que aprendemos muita coisa juntos nessas 12 semanas.
Estou pensando seriamente em conhecer todos vocês pessoalmente num tour pelo Brasil, mas isso ainda é só um projeto! Impossível? Jamais!
Ah, coloquei um vídeo pra vocês hoje, espero fazer um com as fotos das minhas viagens muito em breve! Acho que vai ficar bem legal...
No vídeo, gostei bastante da parte que fala do anonimato, me fez lembrar o que aconteceu em York...
"Não é apenas ter júbilo nos aplausos, mas encontrar alegria no anonimato"
Abração!!!
Semana 12
O nascer de um mochileiro...
Terça, 10/07/2007
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Como de costume, acordei primeiro do que os meus companheiros de quarto. Não podia nem me mexer direito para não acordar ninguém, mas não teve jeito! A minha mochila tava cada vez mais pesada! Não deu tempo nem para tomar o café da manha e fui direto para a estação de ônibus. Eu tinha o time table do único ônibus que ia para Skye no dia, partindo de Inverness as 9:15 da manhã. Cheguei na estação às 9 horas para comprar o ticket, foi quando a atendente perguntou que lugar de Skye eu gostaria de descer e dia/hora que pretendia voltar. Meu Deus, eu não sabia de nada e tive que decidir tudo na hora, olhei no guia e falei vou para Sligachan. Apontei para ela no mapa e perguntei como se pronunciava aquilo. Ela também não sabia! Tive a impressão de estar pedindo para ir para o meio do nada! hahaha
Mas ela falou que a vila tinha um hotelzinho. Fui com o coração na mão, mas estava feliz por estar saindo um pouco da segurança dos tours cheios de turistas. Uma vez que eu descesse em Sligachan, não poderia mais voltar facilmente para Inverness, só no outro dia! Também tinha a opção de continuar andando pela estrada ate a cidade principal, mas a mochila jamais me permitiria isso.
Já dentro do ônibus, tive lindas vistas da ilha, mas nada de novo para quem já viu as Highlands. Decidi ir para Sligachan, pois li no guia que de lá eu poderia fazer uma trilha de umas 3 horas de caminhada ate a cadeia de montanhas mais bonita da Grã-bretanha! Estava ansioso, mas um pouco nervoso.
Quando finalmente cheguei em Sligachan, percebi que tudo o que tinham me falado era verdade! A vila era minúscula, creio que só tinha o hotel mesmo e um parque para camping, não sei se podemos chamar de vila. rsrsrs
Pensei que iria pagar uma fortuna naquele hotel, mas a recepcionista me falou que eles tinham um hostel na colina e custava só 12 libras! Quase beijei as mãos dela quando ouvi essas palavras! Pelo menos teria lugar barato para dormir. E lá fui eu para o hostel na colina.
Foi surpreendente! O melhor hostel da viagem! No meio do mato do lado de um pequeno riozinho. Quando entrei, percebi um clima bem rural, parecido com aqueles que vemos nos filmes norte americanos, bem organizado, tudo de madeira e ainda por cima com uma lareira enorme! E ainda por cima com pouca gente!
Larguei as coisas no hostel e fui desbravar a trilha! tinha uma seta indicando o início do percurso! Não levei barraca, pois queria primeiro conhecer o lugar! E lá fui eu! Coloquei um ritmo meio rápido, pois queria fazer a trilha em menos de três horas. Passei por uns dois ou três casais no caminho, tamanha era a minha ansiedade de ver logo o que me esperava!
Em pouco tempo começaram a aparecer os primeiros desafios que me fizeram perceber que aquela não seria uma trilha fácil! Riachos de pedras escorregadias, e subidas íngremes eram só alguns dos desafios do percurso.
Precisei parar para o almoço, precisava recompor as energias, pois ainda faltava muita pernada! Parecia que eu já havia andado horas e aquelas mesmas montanhas continuavam lá, do mesmo jeito. A grandiosidade do lugar estava mostrando que eu precisaria usar toda a minha perseverança se quisesse dominar aquele pedacinho do mundo! O interessante é que cada vez mais eu queria chegar no final, minha perseverança aumentava, mas as minhas forças estavam se esvaindo!
Encontrei umas pessoas voltando e perguntei se ainda faltava muito. Disseram que uns 40 minutos. 2 horas depois lá estava eu andando e não tinha chegado ainda no tal final! Será que eles realmente chegaram no final?
Bem, chegou um ponto da trilha que haviam dois caminhos para serem escolhidos, decidi ir para a direita. Não sei porquê. Não havia nenhuma placa de orientação! Onde eu ia parar. Subi numa pedra e percebi que não tinha mais ninguém além de mim naquele vale! Continuei a trilha, mas não coloquei nenhuma música, pois queria deixar pilha suficiente para o final do percurso.
Finalmente, depois de umas 4 horas andando, cheguei na base da montanha e a trilha seguia ate o topo. Veio a pergunta na minha mente. onde será que o outro caminho levaria?
A subida não seria fácil, já que, além do meu tripé, eu estava carregando uma sacola na mão, com o almoço, o ursinho, um chapéu e uma surpresa. Lá fui eu! O desafio tava tão grande que quase desisti na metade da subida, mas já tinha chegado até aqui, não podia molejar! Dei uma parada rápida e continuei.
Quando cheguei no topo, fiquei sem palavras por alguns segundos. Depois quebrei o silencio num sonoro Urro de vitória!!!! HAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
mais umas duas vezes, como se fosse um estádio lotado de gente gritando todos de uma vez! HAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
HAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
Depois disso caí na gargalhada! Consegui!!! Subi a primeira montanha sozinho e a vista era impressionante!
Mas do que depressa, coloquei uma musica no MP3, abri os braços e curti toda a força daquele momento. O céu estava limpinho, o sol brilhando como nunca! Uma brisa gostosa e aquela música para completar o espetáculo!!! Tá vai, confesso, derramei umas duas ou três lágrimas de alegria!! A adrenalina ainda estava correndo solta no meu corpo!! hahaha
Coloquei o meu Kilt, a surpresa na sacola, pois queria fazer umas fotos bem legais num clima escocês!!! haaha
Tava sozinho lá, nem deu muita vergonha. Fiz um filminho pra vocês, usando aquela saia e fiquei um bom tempo curtindo todo aquele momento. E quando olhei para trás, então? O tremendo vale que eu tinha atravessado durante aquelas 4 horas tão dramáticas? haha Dava pra ver o momento de divisao da trilha, foi quando fui ver onde ia dar. Atravessei a colina ate a outra parte e vi que o final do outro caminho ia dar numa lagoa espetacular. Foi uma das vistas mais impressionantes que eu já vi na minha vida! E olha que já viajei um pouco!
Desci a montanha sem trilha mesmo, pelo meio do mato. Ainda bem que o mato não chegava nos joelhos. Desci tão rápido, pois a sensação que senti era que aquele lugar já era meu! corri em direção à lagoa, tirei a roupa e cai na água! Esse era o meu batismo de mochileiro, ao sair daquela lagoa, nascia um novo mochileiro no mundo!
Fiquei admirando aquele lugar por um bom tempo enquanto me secava. Depois disso, ouvi quase todas as 60 músicas do meu MP3 enquanto andava na beira da lagoa. Lembrando de como tudo isso tinha começado. Aprendi na pratica a grande lição de nunca me deixar abalar pelas dificuldades do caminho. Todo sacrifício tem uma recompensa!
Aquele foi o melhor momento de toda a viagem. Talvez o final com chave de ouro, já que agora começaria a corrida de regresso ao lar! Durante o caminho de volta, pensei em todas as coisas que tinham acontecido nessa viagem e o quanto tudo isso foi bom! Parei em certos momentos rindo feito bobo e cantando a plenos pulmões naquele pôr-do-sol, o mais espetacular de toda a minha vida!
Chorei um pouco, pois agora senti que um ciclo se fechara na minha vida! Como disse para vocês, essa é a minha primeira viagem internacional sozinho. Agora sinto que essa força que nasceu dentro de mim vai comigo para o resto da minha vida! O meu mundo perdeu completamente as fronteiras!
Cheguei no hostel, por volta das 9 da noite. Estava escuro? não! o pôr-do-sol só aconteceria completamente as 10:30 pm. Inacreditável !
Estava com uma fome danada, tomei aquele banho e fui correndo ver se o restaurante do hotel ainda estava aberto. Cheguei lá e já estava fechado, mas o bar estava funcionando, daí eu comprei um hambúrguer com batatas fritas e levei para comer no hostel.
Jantei ao som de um CD de gaita de foles e com um barulhinho de água passando pelo riozinho do lado do hostel.
Fui para o quarto e conheci os ingleses que estavam dividindo comigo. Eles eram alpinistas experientes e disseram que já estavam na ilha a uma semana e esse era o primeiro dia de sol que eles pegaram, todos os outros dias choveu d+. Pensei comigo, Graças a Deus, esse dia foi um presente final de viagem!
Fui dormir exausto ao som do barulho da chuva que caía do lado de fora, os próximos dias seriam chuvosos também.
E foi assim que o mundo presenciou o nascer de um novo mochileiro...
Dados do retorno: Daqui de Inverness, volto para Londres e no dia 11 de julho (quarta-feira) as 15:45pm estarei desembarcando no terminal 2 do aeroporto internacional de Guarulhos no voo TP 185 da TAP, vindo de Lisboa- Portugal.
Se alguém quiser aparecer por lá, vai ser muito legal! Estarei usando o meu kilt e fazendo aquela bagunça por lá!!!
Abraços e aguardem o resultado do sorteio e da escolha do nome do mascote no próximo post!!!
Ainda não acabou...
Mas os ingleses vão de bicicleta!!!!
Terça, 10/07/2007
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Todo despreocupado, acordei com bastante antecedência, pois queria me preparar para o tour de hoje! O roteiro previsto foi: Glencoe, Highlands e Loch Ness.
Ah esqueci de falar para vocês! Escolhi tomar esse tour hoje, pois estaria no caminho para Inverness, a proxima cidade do meu roteiro. Vejam só, se eu fosse de ônibus, pagaria a mesma coisa, mas não veria nada de legal pelo caminho. O final do tour era em Inverness, passaríamos por lugares legais e ainda teria um guia contando mais um pouco sobre a historia da Escócia para nós! Nem sei como foi que eu tive essa idéia tão genial! De repente saiu! hahaha
Como não voltaria para Edimburgo, tive que levar a mochila comigo no mini bus. O caminho do albergue ate o castelo (ponto de encontro do grupo) parecia uma via crucis, me arrastei pela subida da colina e cheguei no local quase uma hora antes do combinado, pensava eu que ainda poderia tomar um café da manha tranquilamente. Que nada! Quando virei a esquina do castelo, l'a estava o Patrick de novo, só que desta vez ele estava fritando o meu nome!
Hey, Eber sou eu!
Estava atrasado para a saída do tour e nem sabia! cheguei na ultima chamada! Que sorte de ter chegado bem mais cedo do que eu pensava!
E lá fomos nos com o Patrick novamente! No começo ele falou de novo sobre Edimburgo. Mas desta vez ele estava repetindo duas vezes o que ele falava. talvez porque o grupo de hoje era bem maior, o mini bus estava lotado!
Não rodamos muito e paramos numa fazendinha para o breakfast. Foi lá que eu conheci pessoalmente pela primeira vez uma vaca escocesa, na verdade era um Bull (touro). Mas no começo eu estava chamando de vaquinha! No local também estava acontecendo um encontro de minicarros de corrida, eram uns tipinhos muito legais.
Novamente passamos por lugares pitorescos, mas não paramos para tirar fotos. Como disse, se você tem tempo, da pra fazer tudo de ônibus, parando em cada cidade. Mas se você não tem, alugue um carro ou se adapte ao tour.
No caminho para Glencoe, o Patrick foi contando algumas curiosidades sobre kilts. A forma como ele falava era muito legal! Foi enfático ao dizer que os homens não usam nada por debaixo dos kilts. Também mostrou a faquinha que eles carregam na meia, é um símbolo do clã, mas podemos ter problemas ao usar isso nas revistas pelos lugares públicos por onde passarmos.
Finalmente chegamos nas magníficas colinas de Glencoe. Essas colinas foram palco de um dos maiores escândalos políticos da historia da Escócia. Em 1692, o líder dos Glencoe MacDonalds atrasou-se 5 dias para registrar um voto de obediência à Guilherme III, o que deu ao governo um pretexto para destruir o núcleo de apoio à causa jacobita. Durante 10 dias, 130 soldados foram cordialmente recebidos pelos MacDonalds. Às 5 horas da manhã do dia 13 de fevereiro, em um ato de traição, os soldados atacaram os MacDonalds, matando mais de 40 ainda na cama. Muitos outros morreram nos esconderijos nas montanhas.
Fico imaginando o que deve ter passado na cabeça desses soldados durante os 10 dias que estiveram com os MacDonalds. Uma tremenda traição mesmo! Chocante!
Partimos de Glencoe em direção ao misterioso Loch Ness, no caminho, o Patrick falou que haviam duas opções de passeio pelo lago. A primeira seria passar uma hora conhecendo o castelo Urquhart que fica na margem do lago e depois tomar um tour de meia hora de barco pelo lago. A segunda opção era só fazer o tour de barco por uma hora e meia. Senti que deveria pegar a primeira opção, mas um indiano sentado perto de mim me falou que tinha acabado de falar com um amigo pelo celular e esse amigo dissera que o melhor seria só fazer o tour de barco, porque o castelo não era grande coisa.
Fiquei indeciso, pois teria q pagar 3 libras a mais para conhecer o castelo. Resultado? Fui pro castelo! hahaha
De toda a galera do ônibus apenas eu e um casal decidimos pelo castelo+lago. Logo na entrada do visitor centre do castelo, fomos convidados para assistir um filminho sobre a historia do Urquhart. O filminho tinha uns 20 minutos, mas era muito bem trabalhado, parecia produção de Holywood. No final tivemos uma maravilhosa surpresa, que não vou contar pois sei q em breve vocês estarão vendo com os próprios olhos.
Depois do filminho fui andar pelas ruínas do castelo e escutei o som de uma gaita de foles. Quando percebi era uma mulher tocando e uma galera muito bem vestida acompanhando ela. Foi a primeira vez que vi uma mulher tocando gaita de foles! Depois de observar melhor e seguir a marchinha, descobri que era um casamento que tava rolando. Que mágico! Casar num castelo às margens de um lago famoso! O interessante é que também foi uma mulher que dirigiu a cerimônia! E os homens estavam todos de saia! Ops, Kilt!
No retorno para o píer, onde tomaria o barco para o tour pelo lago, parei para observar melhor a replica da catapulta que foi muito usada para atacar o castelo no passado. O passeio também valeu, pois das torres dava pra se ter lindas vistas do lago e das ruínas.
Quando cheguei no barco, lá estava o indiano com cara de desconsolo! O tempo tava fechado, o que não dava pra se ter belas fotos do lago, além disso passar uma hora e meia olhando para o lago cansa! Minha meia horinha foi suficiente! Tiramos fotos, gravamos vídeos, ele até fez uns chifrinhos em mim! hahaha Dali um pouco parecíamos amigos de tempos e ainda comemos muito chocolate juntos, ele era viciado em chocolate, eu também! Não vimos o monstro do lago, mas ficamos com uma baita dor de barriga de tanto comer chocolate! hahaha O Nessie ficou famoso por causa de algumas fotos suspeitas tiradas na década de 1930, onde o monstro aparece. Alguns acreditam se tratar de uma enguia gigante e outros de um plessiosauro. Embora as pesquisas sejam sempre envolvidas por lendas, os radares ainda apontam resultados enigmáticos. As águas muito escuras também nos deixam com a pulga atrás da orelha.
No caminho para Inverness o Patrick deslanchou a contar piadinhas sobre os ingleses, Foi hilário! Um delas, ele contou quando passamos em frente ao zoo safari. Ele disse que podíamos levar as nossas famílias para ver os animais mais selvagens e perigosos das savanas africanas, porem as janelas do carro deveriam ficar travadas durante todo o passeio. Ninguém queria correr o risco de ser surpreendido por um leão! Mas os ingleses só podem entrar no safari de bicicleta! hahahaha Que maldosos!!!! Mas foi hilário!!!
Existe uma rixa forte entre eles por aqui. É mais forte do que Brasil e Argentina ou as piadinhas de português que estamos acostumados a ouvir no Brasil. Aqui o negocio é pra doer mesmo!!! hahaha
Pronto, agora é só descer em Inverness, procurar o hostel, deixar as coisas lá e correr pro information centre! Eu queria ir para a ilha de Skye. Ainda bem que eu economizei tempo e dinheiro com esse tour!
Bem, segundo as informações que recebi do information, percebi que desbravar Skye seria um dos maiores desafios da minha vida! Por quê? Os tours partindo de Inverness eram meio fracos, sendo que eu já estava cansado de fazer tour com grupos. Três já são d+!
Dessa forma, teria que ir para a ilha e procurar alguns tours por lá ou tentar fazer alguma coisa por conta própria. Voltei para o albergue, onde conheci uns canadenses muito legais e sorridentes! Comecei a estudar o meu guia de Skye, para ver se realmente valeria a pena encarar esse desafio, ou seria melhor ficar em inverness e tentar fazer alguma coisa por aqui mesmo (museu, castelo, cidades próximas). Então, nessa hora lembrei de uma frase que li durante os preparativos para a viagem:
Na dúvida, vá na direção que o medo cresce mais!
Resolvi deixar essa decisão para o próximo dia bem cedo!
Não por glória, não por poder, não por riquezas, mas por liberdade!
Segunda, 09/07/2007
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Hoje acordei ansioso para o tour agendado desde ontem. O roteiro programado foi: Loch Lomond, Trossachs e Stirling Castle. Não podia fazer muito barulho, pois todo mundo estava dormindo, a galera aqui dorme d+.
Cheguei no horário combinado no local de encontro do grupo, em frente ao castelo de Edimburgo. Logo fui recepcionado no mini ônibus pelo Patrick Douglas. Foi legal ele estar usando kilt, pois deu um clima bem escocês no passeio. Logo no inicio do tour deu pra perceber que ele era fera em historia escocesa, tinha explicação para cada centímetro quadrado. Também deu pra sentir um certo trauma por parte dele em relação a radares de velocidade nas estradas. Olha um radar ali! Olha outro ali do lado de lá! hahaha Acho que no passado ele teve bastante problemas com multas.
Logo no caminho para o Loch Lomond, passamos por lugares deslumbrantes, foi aí que percebi que um dos problemas de tomar um tour é que por mais que você queira, não dá pra ficar parando em todos os lugares para fotografar algo que você achou interessante, por isso a melhor opção para conhecer legal a Escócia (se você não tem muito tempo) é de carro. Você vai pra onde quer e para onde quiser, tira fotos, faz um lanche ou simplesmente admira a paisagem.
Primeiramente passamos por Glasgow, onde tem uma das poucas catedrais que escaparam da destruição durante a reforma escocesa, pois aderiu ao credo protestante. Diz uma lenda que Mungo, o patrono da cidade, colocou o corpo de um homem santo chamado Fergus em uma carroça puxada por dois touros selvagens, instruindo-os para que o levassem ate o local escolhido por Deus. No lugar onde os animais pararam, existe hoje a catedral.
Saindo de Glasgow, a nossa próxima parada foi o Loch Lomond, onde faríamos um tour de barco pelo maior lago de água doce da Grã-bretanha. O tempo estava muito fechado, o que não deu para tirar muitas fotos interessantes. Quando o tour pelo lago tava começando a ficar meio cansativo, resolvi fazer umas fotos mais ousadas. Pedi para uma garota que estava comigo no Menem bus, tirar umas fotos para mim, ela logo aceitou o desafio. Numa das fotos eu subi na proa do barco, dando uma de pirata do caribe, foi quando todos pensaram que eu ia pular e o comandante tocou uma buzina no alto-falante. Desci rapidinho, mas só saiu a foto do momento de descida. Todos acharam muito divertido e começaram a tirar varias fotos no mesmo lugar, mas sem subir na proa. No final das contas foi divertido.
Continuando o tour pelo bus, passamos pelas lindas paisagens dos Trossachs, onde existem muitas lendas sobre elfos, fadas e seres mitológicos. Um pouco sobre isso pode ser visto nos centros de informação pelas florestas. Paramos em um desses para almoçar e eu tirei essa foto com uma águia Real, animal da fauna local. Ah, levei o meu almoço que comprei num mercado, pois comer nesses lugares 'e o olho da cara!
O tour seguiu sob forte chuva, não que eu me importe muito, mas o Patrick exagerou quando parou perto de um lago e falou pra nos descermos para tirar umas fotos. Não sei por que, o lago nem era tão bonito assim e ainda por cima a chuva estava muito forte. Alguns ficaram no ônibus, mas eu achei aquilo tão engraçado que tirei a foto do bus ao invés do lago. hahaha
E lá fomos nós para Stirling. Sinceramente essa foi a parte mais legal do passeio. Quando chegamos perto da cidade, já podíamos ver o lindo castelo no topo de uma colina isolada. O Patrick colocou, para nos ouvirmos, um CD de áudio com uma parte do Filme Coração Valente. Foi de arrepiar! Estávamos atravessando o lugar dos campos de batalha ouvindo aqueles sons de combate. Cara, super emocionante!
Ainda no caminho o Patrick foi contando algumas coisas sobre Willian Wallace. No filme fala que ele foi casado, mas na realidade parece que não. Ele liderou uma importante batalha na Stirling Bridge contra os ingleses. Uma das partes mais difíceis de ouvir foi sobre a execução dele. Ele tinha apenas 35 anos quando foi traído por um conterrâneo escocês e levado para Londres, onde foi enforcado, estripado, decapitado e esquartejado. Partes do corpo foram levadas para algumas cidades na Escócia e a cabeça ficou pendurada na Tower Bridge. Durante todo esse martírio, as pessoas zombaram muito dele, pois os governantes disseram para o povo que se tratava de um perigoso fora-da-lei que matou mitos ingleses.
Perto do Castelo de Stirling há um monumento em homenagem a esse importante herói escocês.
Na entrada do castelo, podemos ver a estatua de Robert the Bruce guardando a espada apos a batalha de Bannockburn em 1314. Finalmente a Escócia era um país independente. O Stirling Castle foi palco de muitas guerras devido a sua posição estratégica, pois abria caminho para as Highlands.
No castelo, peguei um tour guiado inesquecível. O nosso guia era super ator! Ele contou a historia do castelo de um jeito muito diferente, ele deu vida para aquelas muralhas. Certos momentos ele gritava: Bum! Bum! Bum!
Representando as bombas que atingiram o castelo durante as guerras medievais pelo controle da escócia. Se algum homem quisesse dominar o país, teria que conquistar aquele castelo.
Tava rolando ate um casamento por lá e eu fotografei os noivos saindo. Muito chique casar num castelo tão importante! Reis, rainhas e nobres entravam e saiam daquele lugar o tempo todo.
Do castelo dava pra ver sete campos de batalha e no caminho de volta o Patrick colocou o CD novamente para nos ouvimos. Ah, por falar nisso, chegando de volta em Edimburgo, ele começou a falar uma lista enorme de escoceses famosos. Um show de patriotismo. Ele sempre terminava dando ênfase à nacionalidade dos homens notáveis, aí vão alguns nomes:
Motor a vapor, projetado por James Watt, escocês!
Clorofórmio, descoberto por James Simpson, escocês!
Primeira refinaria de petróleo do mundo, desenvolvida por James Young, escocês!
Telefone, inventado por Alexander Bell, escocês!
Penicilina, um dos maiores avanços da medicina no século 20 descoberto por Alexander Fleming, escocês!
Grande explorador que chegou a Antártida, Robert Scott, escocês!
Esses são só alguns de uma lista imensa, sempre que ele terminava de falar, fazíamos coro dizendo: Escocês! hahaha
Voltei para Edimburgo já ao anoitecer e dei mais uma andada por aquelas ruas tão agradáveis. A cidade é fácil se localizar na cidade, por isso fiquei um bom tempo caminhando e apreciando os monumentos históricos da cidade antes de voltar para o hostel.
Amanhã tem mais um tour!
Semana 11
Um mergulho profundo na impressionante cultura escocesa
Domingo, 08/07/2007
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Cheguei em Edinburgh quase meia noite. Ah esqueci de falar, na saída de Belfast tive que passar pela imigração, fizeram algumas perguntas em dois bloqueios onde eu tive que dizer qual era o propósito da minha visita, mas foi bem simples! Só responder a verdade!
Como disse já era bem tarde quando cheguei em Edinburgh, pegando o trem do porto ate Glasgow e depois um outro trem, o último do dia que vinha para cá.
Com algumas orientações dos policiais na saída da estação, não foi difícil achar o albergue. Graças a Deus o albergue funciona 24 horas e eu caí na cama!
Hoje cedo eu fui ao information centre e de acordo com tudo o que eu queria fazer no tempo que me resta de viagem, decidi tomar dois tours para os próximos dois dias aqui na capital da Escócia. O dia de hoje ficará só para conhecer a cidade!
Logo no caminho para o Museu de Edimburgh encontrei esse cara usando saia.... ô sorry, saia não! Kilt, e ainda tocando a mágica gaita de foles! Que som do c'eu!
A cidade aqui respira uma forte cultura! É lindo de ver como certos traços estão enraizados nos escoceses. Percebe-se que eles preservam bastante certos costumes dos antepassados. o que é um verdadeiro deleite para nós que estamos apenas visitando o país!
Os inúmeros monumentos, dão à cidade um verdadeiro ar medieval em pleno século 21. Mas a cidade também esta aberta para manifestações culturais de outros povos. Você pode assistir vários tipos de performances só no caminho do albergue para o mercado. Aqui parece ser a capital das artes e os preparativos para o mega festival já podem ser notados nas ruas.
Toda essa mistura deu à Escócia uma magia que não senti em nenhum outro país pelo qual visitei. Não sei explicar, parece que andar pelas ruas de Edimburgh ao som da gaita de foles é entrar num mundo onde os sonhos podem ser alcançados com um esticar do braço. Não coisas materiais, mas overdose de vida! rsrs Você vê pessoas dançando nas ruas e elas sorriem para você como se te convidassem para se juntar a elas.
Parece que o lema da cidade é: Liberte-se do padrão de turista normal e caia na magia de Edimburgh!
E os trajes deles então? Eles usam aquilo mesmo, não é só folclore não! muitas ocasiões especiais lá estão eles com o kilt e todos os aparatos! Andam pra cima e pra baixo com aquela roupa, é um pouco engraçado, mas em pouco tempo vc se acostuma.
Se eles usam alguma coisa por baixo? Dizem que o correto é não usar nada, mas eu não pedi pra ver! hahaha
Uma polonesa me disse que numa festa de casamento um deles caiu no chão de tão bêbado e lá estava o garoto como veio ao mundo!
Bem, nos preparativos para a viagem procurei estudar a historia dos paises pelos quais mochilaria, sendo que não consegui muita informação sobre a história da Escócia. Mas agora eu estava na Escócia! Como já disse, fui ao Museum of Scotland e descobri algumas coisas bem interessantes! O museu aborda a historia da Escócia, o território e o povo, desde a formação geológica ate os fatos da atualidade. Achei interessante a historia do Massacre de Glencoe, onde um clã inteiro foi dramaticamente exterminado, também a historia da rainha dos escoceses, Mary Stuart, que perdeu o trono num embate religioso contra John Knox. Outro fato curioso sobre essa rainha foi que logo apos o assassinato do marido, Darnley, ela foi jogar uma partida de golf! Que sangre frio! hahaha
Ainda aprendi um pouco sobre a historia de Robert MacGregor, conhecido como Rob Roy (Robert Vermelho). Ele tem uma historia parecida com a do Robin Hood, sendo que a diferença é que Rob Roy comprovadamente existiu. Ele atacava propriedades ricas das terras baixas para alimentar o seu clã e sempre escapava da prisão.
Não tem como falar da historia da Escócia, sem mencionar os dois maiores heróis escoceses. William Wallace e a sua aliança com os franceses que marcou um momento especial na trajetória da independência escocesa, com destaque para a batalha na ponte de Stirling, onde hoje h'a um memorial ao homem que disse: Todo homem morre, mas nem todo homem vive de verdade!
Também Robert Bruce, o herói da vitória contra os ingleses em 1314.
Foi interessante descobrir que houve um momento na historia que um escocês comandou todo o reino, Jaime VI da Escócia, ocupou o trono inglês com o nome de Jaime I, apos a morte de Elizabeth I em 1603. Tempos depois a coroa escapou das mãos dos escoceses.
Outro nome de destaque é o do príncipe Carlos Eduardo que tentou tomar o trono inglês novamente e foi derrotado em Culloden, marcando o fim das esperanças escocesas e extinguindo o sistema de clãs. Apos isso as tradições das terras altas da Escócia (trajes, língua, costumes, gaita de foles, etc.) foram reprimidas por mais de cem anos.
Ah, aqui na Escócia eles dividem o país em duas partes: As Terras Altas ou Highlands (capital Inverness) e Terras baixas ou Lowlands (Capital Edinburgh), sendo que Edinburgh 'e a capital de todo o pais. O encontro entre essas duas partes é a região chamada Trossachs, cheia de lagos e montanhas.
Foi nas terras altas que se originou a maior parte do romantismo da Escócia. Essa foi a região de origem dos tartas (tecido xadrez), sistema de clãs, a gaita de foles e alguns esportes bem raros como arremesso de tronco de arvore. Aqui existem jogos de verão muito apreciados por serem um espetáculo da cultura e costumes escoceses, com destaque para a magnífica herança vi king.
A Escócia possui apenas 5 milhões de habitantes, ou seja 1/5 da população da Inglaterra e do País de Gales. Muitas terras são desabitadas, talvez por terem um dos climas mais rigorosos da Europa. Isso também possibilita a prática de muitas atividades ao ar livre em algumas das paisagens mais incríveis do continente.
Bem, isso foi só um pouquinho do que deu pra ver no Museu, depois fui a uma exposição perto do castelo da cidade que mostra como são feitos os tartas, o traje típico dos escoceses. Foi muito interessante ver aquelas maquinas entrelaçando os fios e formando aquele tecido xadrez. Depois voltei para o albergue e tive o jantar mais doido da minha vida com um espanhol e uma inglesa-jamaicana. Ninguém entendia ninguém! hahaha
Ela falava um inglês muito estranho e o espanhol não falava nem duas palavras. A companhia aérea tinha perdido a bagagem dele e ele estava no hostel esperando para ver o que ia fazer. Durante a nossa conversa a recepcionista do albergue chegou e disse que tinham acabado de entregar as malas dele na recepção. Ufa, estávamos todos tentando consola-lo. A jamaicana-inglesa disse que era de Birminghan- Inglaterra (não sei como se escreve), mas depois disse que veio da Jamaica e pelo inglês dela, acho q ela era de lá. Tentei falar em espanhol com o rapaz, mas a inglesa-jamaicana foi difícil de entender. Tudo foi muito divertido e conversamos quase uma hora e meia nesse ritmo.
Bem, amanhã vamos aos Tours!!!!
No caminho das pedras...
Sábado, 07/07/2007
Este post tem:
Belfast, madrugada, 2 horas da manhã. Sem lugar para dormir, mochila nas costas e muita adrenalina correndo pelas veias. E agora? Information centre fechado, sem mapa! Nada de desesperos!
Antes de mais nada, gostaria de manifestar a minha incompreensão acerca da imigração aqui no Norte da Irlanda. se aqui é outro país, pq não tive que mostrar meu passaporte pra ninguém? Ainda não sei! Pois bem, cheguei na capital do quarto pais da viagem.
Vamos lá...
O ônibus nos deixou em um ponto próximo da estação, que já estava fechada. Andei até a avenida principal (pelo menos parecia) e me dirigi ate um luxuoso hotel. O gerente estava na porta e eu perguntei para ele onde poderia encontrar um 4 b`s (bom bed and breakfast barato). Na rua de trás! E lá fui eu. Passei na frente do local, mas estava tudo apagado e tinham umas meninas muito feias próximas da porta. Voltei para o hotel e perguntei quanto era a diária. 120 pounds a mais barata e não tinha mais nenhum quarto disponível!
Não é que o cara começou a ligar pra tudo quanto 'e hotel na cidade? Fiquei ate encabulado! Infelizmente estava tudo lotado, foi aí que ele falou para eu ficar sentado num sofá do hall de entrada ate dar a hora do Youth hostel começar a atender. Sentei no safa e me senti uma formiguinha perto da galera ricaça que entrava e saía do hotel nuns carrões sobrenaturais. Pra completar o gerente ainda perguntou se eu aceitava um chá, café ou chocolate quente. Estava tão constrangido que fiquei só no copinho com água mesmo. Percebi um mapa sobre o balcão da recepção. era gratuito! Tinha o endereço de todos os hotéis da cidade. Deixei minha mochila no hotel e fui andar um pouco. Voltei ao bed and breakfast que estava fechado e reparei que tinha uma campainha na porta. Toquei e meia hora depois já estava num maravilhoso quarto dormindo um sono profundo!
Que aventura, mas logo vocês entenderão porque não dormi em Galway.
De manhã, já com o mapa, fui ao information centre e tomei um tour para Giant's Causeway. O tour era só para o lugar mesmo, porem o nosso guia deu bastante informações sobre alguns pontos legais da cidade. Uma das coisas que reparei em relação ao resto da Irlanda, é que Belfast tem o ar do Reino Unido, as ruas são diferentes, as coisas parecem ser mais organizadas por aqui, por exemplo a fachada dos prédios.
Ah, novamente chuva! Mas quando chegamos em Giant's Causeway e o tempo estava perfeito, estranho não? Mas ilha 'e assim mesmo. Na Irlanda e na Grã-Bretanha chove d+ por causa da alocação geográfica dessas ilhas, já que elas estão numa posição estratégica entre o oceano (umidade) e o continente seco.
Bem, pelas fotos que tinha visto, eu não esperava muita coisa desse passeio, mas a partir de hoje eu recomendo para todos que visitem a Irlanda! O lugar 'e maravilhoso! Tirei uma mil fotos por lá! hahaah Tudo muito lindo, uma beleza diferente!
A principal atração do lugar é o conjunto de formações rochosas perfeitamente hexagonais. Algumas dessas rochas são como colunas de mais de 3 metros de altura, um espetáculo! Por incrível que pareça é natural! Difícil de acreditar? Você ainda pode escolher ficar com a lenda que diz que um gigante construiu aquele caminho de pedras cortando o mar para chegar na sua amada, na Escócia.
O lugar também impressiona pela beleza dos costões verdes que contrastam com o intenso azul do mar. Uma americana chamada Ruth me ajudou a tirar umas fotos no local. Viagem sozinho é assim, o apoio da galera é vital em certos momentos.
Andei bastante pelo local e voltei para o ônibus na hora combinada! No caminho de volta, passei por um lugar que tinha uns turistas tirando umas fotos, na mesma hora me vi sentado na cerca olhando para o mar e tirando aquela foto que seria um diferencial! mas tava cheio de gente e decidi ir embora, quando cheguei no ônibus, percebi que ainda faltavam alguns minutos para a partida. O que vocês acham que eu fiz?
Isso mesmo, voltei para o tal lugar para tentar tirar aquela foto que não saía da minha cabeça! Corri feito um desesperado e o pior é q eu estava no contra fluxo da multidão. Cheguei no local, que já estava vazio, armei o tripé e mandei ver! A foto saiu melhor do que o que eu tinha na minha mente! Voltei correndo para o micro bus. Suei todinho, mas é como diz aquela velha frase:
Acorde arrependido, mas nunca durma na vontade!
O inglês falado pelo nosso guia era muito difícil de decifrar, porem mais uma vez uma senhora que estava atrás de mim me deu aquela força para pedir ao motorista para parar próximo ao porto, pois eu precisava tomar o ferry boat, agora chegou a hora de ir para a Escócia!
Lá estava eu indo pelo caminho das pedras do gigante!
Com toda essa correria, precisava me comunicar com alguém no Brasil, para dizer o meu paradeiro. Procurei o internet place no ferry boat, mas eles só tinham acesso para wi-fi. Foi aí que, batendo um papo com um malasiano que conheci na fila de embarque do ferry, fiquei sabendo que ele tinha o bendito laptop. Não precisei nem falar nada, ele já foi ligando e eu usei por uma hora! Uau, como uma coisa liga outra, não é?
E lá vamos nós para o quinto e último país dessa aventura!
Ah, se eu tivesse dormido em Galway e pegasse o ônibus no outro dia de manha, só chegaria em Belfast na hora que o pessoal do tour já tivesse saído, então perderia Giant’s Causeway. Um verdadeiro pecado! Valeu o sacrifício e eu ainda conheci um lado bem humano do pessoal do Norte.
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