Futebol também é paixão milanesa

Publicada em: 07/07/2009

O futebol não é só venerado em terras tupiniquins. A cidade de Milão também é conhecida pelo seu amor e fanatismo ao esporte bretão. Pois lá existem dois dos maiores clubes do planeta: Milan e Internazionale. Trata-se de um grande clássico do futebol europeu que, em 2009, completou 100 anos de história e acirrada rivalidade.

O jogo entre as duas tradicionais equipes italianas tem até um apelidado digno de santidade. Chama-se “Derby della Madonnina”, em alusão à estátua da Virgem Maria que fica em cima da Catedral Duomo, um dos principais pontos históricos de Milão, conhecido como "Madonnina".

Para entender a antiga rixa entre ambos os clubes, o Milan foi fundado por ingleses e suíços, em 1899. Nove anos depois, dirigentes italianos do clube rubro-negro, insatisfeitos à época com a proibição da contratação de atletas estrangeiros, se reuniram para criar uma nova agremiação. Então, provocativamente, a batizaram de Internazionale, no feminino.

Apesar de arquirrivais em campo, fora dele a relação de fair play e boa vizinhança predomina. Tanto é que os dois clubes dividem a mesma casa para jogar: o estádio San Siro, situado no bairro homônimo desde 1926. Com capacidade para 85 mil pessoas, foi considerado durante alguns anos o maior estádio do mundo.

Um fato curioso é que, em 1980, o estádio foi rebatizado de Giuseppe Meazza, em homenagem a um ex-ídolo do futebol italiano que jogou nos dois clubes. Só que a torcida do Milan detesta o atual nome e só considera o antigo, San Siro, inspirado no santo regional São Siro.

Do lado oposto, os seguidores da Inter idolatram o nome de Giuseppe Meazza. Pois o ex-jogador, que defendeu por mais tempo o time azul do que o rubro-negro, certa vez havia dito que a pior coisa da vida dele foi ter jogado no Milan. A partir daí… dá para entender porque uma legião de fãs gosta e a outra odeia a nomeação do local.

A polêmica em torno do nome causa até algumas transformações inusitadas no palco futebolístico. Quando é dia de partida do Milan, parte das arquibancadas e outras instalações móveis ganham cores vermelhas. Enquanto na vez da Inter jogar, predomina o azul nos mesmos pontos. Tudo em prol de uma pacífica e harmônica convivência.

Fascínio pelos brasucas

Além de revezarem o mesmo campo, as duas forças do futebol milanês possuem outro hábito em comum: a admiração e frequente contratação de jogadores brasucas, inclusive da seleção canarinho. Muitos brasileiros – como Kaká, Dida, Adriano e Júlio César só para citar alguns –, encontram-se eternizados na brilhante e vitoriosa trajetória dos times milaneses.

Hoje o Milan, chamado de rossoneros pela cor da camisa, tem até site oficial em português, tamanha sua popularidade no Brasil e nos demais países lusófonos. O sucesso transcontinental não se dá por acaso. Pois é considerado o clube com mais títulos internacionais do mundo. São 18 taças, entre elas quatro de campeão mundial e sete de campeão europeu interclubes.

Já a Inter, para não ficar por baixo, é a atual tetracampeã italiana, com quatro scudettos consecutivos abiscoitados nos últimos anos. Os nerazzurro (preto e azul), como são apelidados, ainda colecionam dois campeonatos europeus e dois mundiais, conquistados na primeira metade da década de 60.

Repleto de história e emoção, o futebol também deu sua contribuição para transformar Milão em potência, cravando sua importância no coração e nas veias da cidade.


Leia Mais

Outros artigos ver lista completa