O Chile não se resume só à bela e “europeia” capital Santiago. A fascinante geografia do país (estreita, porém cumprida) reúne uma diversidade climática e paisagística sem igual. Exatamente pelo seu formato pouco largo, o lugar é ideal para ser conhecido de norte a sul – ou vice-versa. Destino inesquecível para qualquer mochileiro explorar.
E a aventura pode começar no frio digno de neve. A Patagônia chilena, no extremo sul, apresenta um dos cenários naturais mais belos da América do Sul, podendo ser visitada em qualquer época do ano. Reúne as cadeias de montanhas e vulcões com cumes altíssimos e eternamente cobertos de gelo, conhecidas como as famosas cordilheiras dos Andes, além de lagos, lagoas, rios, cachoeiras, fiordes e bosques maravilhosos.
Punta Arenas é a cidade patagônica mais povoada e cosmopolita. Ao mesmo tempo, a pequena e pacata Puerto Natales tem caído nas graças dos turistas. De ambas, parte a maioria das excursões rumo à Antárctida. Há ainda cruzeiros até as geleiras, cavalgadas pelos pampas, visita a fazendas de ovelhas, caminhadas, observação da natureza em meio a concentrações de pinguins e leões marinhos, pesca esportiva, escalada glacial, entre outras atrações.
Pouco mais adiante, o Parque Nacional Torres Del Paine merece uma parada, com opções de trilhas ecológicas e passeios a cavalo e de bicicleta pelas montanhas. Aos aventureiros em busca de mais adrenalina, que tal esqui ou snowboard? A estação de Valle Nevado, situada nos Andes, a 57 km de Santiago, possui a maior pista do Hemisfério Sul e é point para esquiadores de todos os níveis, inclusive iniciantes. Por que não tentar?
O “rico sertão” chileno
Após alguns dias de neve e sem perder o espírito radical, o mochileiro pode mudar de ares e conhecer outra beleza extrema do país: o hipnotizante deserto do Atacama, que ocupa quase toda região norte, numa vasta área erma de 363 mil quilômetros quadrados e altitudes variáveis de 2.000 m a 7.000 m.
Rico em jazidas minerais, contendo algumas das maiores reservas do planeta, o local é também considerado o ponto mais seco do mundo, tendo ficado 400 anos sem chuva, de 1571 a 1971. Não se trata de um deserto comum, igual àqueles de areia vistos em muitos filmes e em nada parecido com o sertão brasileiro. Sua geologia de milhões de anos ostenta uma formação à base de cordilheiras, vulcões, salares (planícies cobertas de sal) e lagoas. Tudo à luz de um céu azul turquesa sem nuvens e bem estrelado à noite, para delírio dos amantes da astronomia.
Oásis em meio à aridez, a pequena vila San Pedro de Atacama é a porta de entrada para a
imensa região desértica e também considerada a capital arqueológica do Chile. Fica a pouco mais de uma hora de carro de Calama, cidade onde pousam os vôos regionais. Lá, a maioria dos hotéis oferece os passeios para “escalar” em muitos pontos este deserto de altitude.
Mas, calma, não sofra antes da hora, pois boa parte do trajeto é feito de van. Chegar ao Vale da Lua e ao Vale da Morte (ambos a 2.569 m) já é um bom começo. Ambos são 100% desprovidos de vida animal e vegetal e lembram até a superfície lunar. Adiante, admira-se a cordilheira do Sal, antigo lago que virou montanha. Já no salar de Atacama (a 2.300 m), o cenário muda radicalmente. A vegetação sobrevive bravamente numa planície com quase 100 km de extensão coberta de sal, de onde despontam lagoas azuis habitadas por flamingos.
Os mochileiros de fôlego maior podem subir até os 4.000 m do salar de Tara, na fronteira com a Bolívia, numa área fria de bater os dentes e repleta de colunas e paredões de pedras. Ainda mais ao alto, há o espetáculo vulcânico do Tatio, com jatos de água quente expelidos do solo, além das termas Puritana, com piscinas naturais de água clara e quentíssima.
Do deserto às geleiras, é possível fazer uma verdadeira jornada aos extremos da Terra, em um único país. A conferir!


