Liberalidade cultural e sexual

Na cidade mais tolerante e polêmica do mundo, a vida é vista com outros olhos. Mas o talento para as inovações de formas e pensamentos vem de longa data. E isso só foi possível graças a uma história de ousadia, independência e revolução.

Publicada em: 09/01/2009

Na Holanda, ter a mente conservadora não combina muito. O próprio governo adota algumas políticas libertárias, com leis de tolerância para determinados assuntos considerados tabus em muitos outros países. Lá, por exemplo, foi o primeiro lugar a liberar o casamento entre homossexuais e até a prática de sexo ao ar livre em parques públicos durante horários específicos.

Certamente, o ponto alto de toda a liberdade concedida pelos governantes locais está na descriminalização e regulamentação do consumo de algumas drogas leves e também da prostituição como profissão. Que o digam os inusitados Museus do Sexo e da Maconha, né? Mas em tudo há regras e limites, com as quais talvez só um povo evoluído como o holandês é capaz de conviver respeitosamente.

Em Amsterdã, o consumo de drogas leves em porções pequenas é permitido em alguns poucos lugares públicos (nas ruas é proibido) e, sobretudo, nos chamados “coffee shops” (casas de chá e café), onde a clientela é formada exclusivamente por usuários de maconha. A diferença do cardápio está justamente na oferta controlada de vários tipos de maconha e haxixe, de diferentes partes do mundo, e vendidos livremente, dentro da legislação do país.

Esses estabelecimentos, porém, devem seguir a ferro e fogo certas normas, afixadas logo na entrada. Não podem vender para menores de 21 anos, nem comercializar bebida alcoólica e drogas pesadas junto com a maconha e seus derivados. Além disso, não devem gerar nenhum incômodo à vizinhança, sob pena de perder a licença de funcionamento perante qualquer infração às regras. 

No centro histórico da capital, há um "coffee shop" praticamente em cada quadra. Pela Reguliersdwarsstraat, uma das ruas bastante freqüentada pelo público "fashion" e GLS, próxima à praça Rembrandt, ficam as casas mais conhecidas do gênero. Diversas lojas especializadas vendem, ainda, todo tipo de produtos relacionados à maconha, como papel, cachimbos, máquinas para triturar a erva, e souvenirs, como camisetas e pirulitos.
Outra grande atração turística do país é os chamados distritos da “Luz Vermelha”, área somente onde é liberada a prostituição como trabalho regulamentado desde 2000. Quem nunca ouviu falar ou já viu pela tevê as insinuantes garotas de programa expostas dentro daqueles pequenos quartos-vitrines?

O De Wallen (As Paredes), uma teia de ruas e ruelas medievais em torno das paredes de uma antiga represa, é o Red Light District mais famoso da capital. Fica no centro histórico e é um bairro muito bonito. A polícia patrulha ostensivamente, para garantir a segurança de todos visitantes. Câmeras fotográficas não são bem-vindas na região.

Mas, além da clientela que paga pelo serviço sexual, é comum ver pelas calçadas turistas de todo tipo e curiosos em geral. A área da Luz Vermelha de Amsterdã está por demais mergulhada na arte da provocação para ser de fato chocante hoje em dia. Por isso, o exótico reduto destinado à profissão mais antiga do mundo é verdadeiro e merece uma visita sem compromisso e constrangimentos.


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