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Publicada em: 26/11/06

Ar - Annapurna :: Nepal: Mantra nas alturas

Uma caminhada pelo santuário de Annapurna, no Himalaia, o maior centro de montanhismo da Ásia

As razões de cada um podem variar: misticismo, religiosidade, o gosto por elevadas altitudes e temperaturas extremas, desafio. Ou simplesmente um desejo insano por aventura. Mas não é à toa que esses montes são conhecidos como santuário natural do Annapurna. Há muito de sagrado, puro e sublime no maciço localizado no centro do Nepal, que, com seu cume a 8.091 m, está entre os dez mais altos do mundo.

Verdadeiros gigantes brancos -especialmente à noite, quando o brilho prateado de lua e estrelas banha as cumeeiras-, os picos estão entre as visões mais espetaculares da Terra.

Fazer uma caminhada em direção ao Annapurna é serpentear por bosques densos, com todo tipo de animais (de iaques a pássaros raros), vislumbrar precipícios e cachoeiras congeladas e enfrentar incontáveis degraus perfilados pela trilha.

O vilarejo de Birethanti é o ponto de partida para o \"trekking\" nas alturas. Calma, ninguém está pensando em ir até o topo. O \"passeio\" acontece no entorno da montanha, e os visitantes sobem até mais ou menos 5.000 m. Eles chegam a pagar por isso de US$ 1.500 a US$ 5.000.

Escalada até o cume, só para profissionais experientes e para quem tem uma grana extra na bagagem -os preços chegam a US$ 50 mil, dependendo da época do ano.

As subidas ocorrem geralmente de março a junho. São interrompidas durante as monções, de julho a setembro. Os passeios voltam a ser feitos em outubro até parte de dezembro. Ainda assim, é preciso fôlego. Embora atraia turistas de todas as idades e nacionalidades, a versão mais leve da aventura consome ao menos dez dias e exige preparo físico. No primeiro dia, o viajante sobe por cerca de mil metros em uma espécie de escada esculpida em pedras. Cada noite é dormida em local diferente, geralmente em pequenas pousadas, chamadas refúgios, sempre variando de altitude, paisagem e vegetação. A temperatura oscila bastante, com quedas negativas durante a noite.

Moradores e comerciantes, que se abastecem na cidade, costumam transitar com suas mulas carregadas pelas trilhas. Esses animais acabam disputando com os turistas o mesmo caminho, o que gera surpresas divertidas. Uma delas acontece toda vez que se ouve o tilintar de um sino. A cena é clássica: o som acusa que uma mula vem na sua direção, e é preciso sair da frente. Como algumas trilhas são minúsculas, é necessário ser rápido e ágil e grudar na rocha, imóvel, sob o risco de ser atropelado -ou pior, jogado lá de cima.

Harmonia nas alturas

Birethanti, o vilarejo ao pé da montanha onde nepaleses e refugiados tibetanos vivem em harmonia, tem uma população com cerca de 3.000 pessoas que depende exclusivamente da terra. Acolhedores e cordiais, os moradores recebem os visitantes com sorrisos fartos e refeições substanciosas, quase sempre à base de arroz e lentilhas.

As pousadas locais são um microcosmo do peculiar estilo de vida. As conversas pipocam ao pé da lareira, ao som de música nepalesa, em amistosas rodas de chás. Os nepaleses adoram contar histórias e \"causos\". Também não é raro encontrá-los concentrados, entoando mantras budistas. Em muitos momentos ouvem-se sonoros \"Namastê!\", a saudação nepalesa que significa: \"Meu deus interior saúda o seu deus interior\".

Mesmo com toda a religiosidade que permeia a região, aventura é o que não falta. Lá no alto, de cara para as estrelas; nas trilhas, com os sherpas; e até na base, nos vilarejos, ao pé do fantástico maciço de montanhas. Em outras palavras: subindo ou não até o cume, Annapurna é uma das mais deslumbrantes paisagens do mundo.


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