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Publicada em: 16/11/06

Deficiência não impede sonho de quem quer fazer intercâmbio

Enquanto no Brasil as políticas voltadas para pessoas com deficiência engatinham, no exterior essa é uma prática comum. Dos centros educacionais à arquitetura urbana da cidade, tudo é pensado incluindo essas pessoas. Tanto que cidades como Londres, na Inglaterra, tem chamado a atenção de quem deseja estudar no exterior. Esse é o destino do advogado brasileiro Marcos Bernardo Rodrigues, deficiente visual, que, em 2007, viaja para o país num programa de intercâmbio.

Deficiente desde que nasceu, Rodrigues, de 25 anos, conta que apesar de o desafio ser grande pelo fato de ir sozinho para um lugar que não conhece, as expectativas da viagem são maiores pois realizará seu plano antigo de aperfeiçoar a língua inglesa no exterior, além de conhecer novas culturas e estilos de vida diferentes. “Hoje me sinto mais seguro, pois se quero atingir meu objetivo tenho que encarar seja lá o que for. Vou melhorar meu inglês, conhecer novas pessoas e espero que meu exemplo abra caminhos para deficientes que desejam o mesmo que eu mas ainda não se encorajaram,” incentiva.

Na ocasião, o advogado ficará hospedado numa residência estudantil, toda adaptada para deficientes. Tanto essa quanto outras instituições do país já receberam deficientes de outras nacionalidades mas Rodrigues é o primeiro brasileiro a encarar uma experiência desse nível no exterior. A escola já está providenciando o material didático adaptado para o aluno que ficará no país por um mês.

“Acredito que fatores culturais ou financeiros impeçam pessoas com deficiência de encararem uma experiência como essa. Acho até que muitos não sabem que ser deficiente não é empecilho para quem deseja fazer intercâmbio.O exemplo de Rodrigues nos mostra que sonhar é possível para todos,” explica a diretora educacional da Central de Intercâmbio, Tereza Fulfaro.

Rodrigues já havia feito viagens ao exterior porém junto com seus pais, que sempre estavam por perto para ajudá-lo. Ele acredita que barreiras maiores que os deficientes enfrentam no Brasil são improváveis no exterior. “Em São Paulo, por exemplo, não há quase nada adaptado e conseguimos viver. Precisamos fazer movimento, sair pela cidade e cobrar pois só assim abriremos portas para que as pessoas nos reconheçam e nos incluam nas oportunidades da cidade,” declara.

“O mais interessante é que ele vai conhecer a Europa num outro aspecto, percebendo o país com sentidos diferentes dos nossos e, ao mesmo tempo, aproveitará a oportunidade de aperfeiçoar seus estudos. “Fazer intercâmbio no exterior é uma experiência que nos torna mais flexíveis e abertos a entender e aceitar diferenças,” declara Fulfaro.


Link da notícia: UOL


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