Eu Fui!


Gregório Garcia Repsold

Vancouver é uma cidade internacional, antes de tudo.

São muitas as expectativas antes de uma viagem como essa, a ansiedade da partida, a dúvida da ausência parental, a e imaginação do lugar e das pessoas, tudo isso num misto de vontade receio.

O primeiro choque é a língua, ao entrar no avião internacional você descobre que por mais que achasse que estava preparado, você não está. Quando desce em terra e ninguém fala sua língua, a coisa fica mais estranha ainda. Você se pega procurando na própria cabeça aquelas palavrinhas que sua professora de inglês do fundamental lhe ensinara. Felizmente os canadenses são muito educados e hospitaleiros, ao notarem sua dificuldade tentam ajudá-lo de todas as formas que podem. E, de qualquer forma, os que não são canadenses são estudantes como você, e por mais que pareçam entender muito de inglês, eles entendem tanto quanto você e descobre-se isso quando puxa assunto com um, usando-se do seu tímido inglês.

Depois vem a sua casa, é estranho entrar numa casa que nunca viu, encontrando alguém que nunca viu e imaginar-se ali, dormindo, comendo e convivendo naquele lugar, com aquela pessoa. Mais intrigante ainda é quando essa pessoa lhe cumprimenta com toda a hospitalidade.

Quando se está num intercambio, descobre-se que estar sozinho quer dizer “help yourself”, como diria minha homestay. Percebe que tudo que já fez sozinho no Brasil não é nada comparado ao que vai fazer, e que seus pais te ajudam muito mais do que você imaginava.

Conhece novas culturas, conhece japoneses, coreanos, mexicanos, suíços, chineses, árabes e gente de todo o Brasil. Percebe o verdadeiro tamanho do Mundo, e o quanto as coisas podem ser diferentes nas partes distantes do globo (e como você era ingênuo em achar aquela colega de sala sua “estranha”). Aprende que não importa as origens, somos todos iguais, seres humanos que vivem, sentem, riem e choram. Percebe que pode ser amigo de qualquer um e não importa as diferenças, mas sim o respeito que tem por elas (não abraçar os orientais é um exemplo, contato físico está fora da cultura deles, já com os árabes é o contrário). Nota que aquela famosa frase “é errando que se aprende” tem mais sentido que você imaginava (principalmente quando o assunto é conversação ou quando você se perde, roda e roda a cidade e descobre que a escola era ali, do lado do metrô, que foi de onde você chegou!).

Percebe que estar sem os pais não quer dizer liberdade, mas responsabilidade. E que a liberdade é o ato ou efeito de tomar decisões, e que responsabilidade é como tomamos essas decisões (polícia canadense mais deslize seu igual a notificação séria. Polícia canadense mais um segundo deslize seu pode ser fatal). Percebe que as vezes é necessário ser você mesmo, mesmo que isso desagrade os outros, e aprende que não importa o quanto chato você pareça para os outros, sempre haverá alguém que concorda com você. Algumas pessoas simplesmente acham que são invisíveis, ou que podem passar por cima das leis que nada lhe acontecerá. É necessário lembrar que você não está mais no Brasil, e que é responsável pelos seus atos. Se algo é ilegal ou perigoso, mesmo que todos digam o contrário, você tem que ter maturidade para dizer não.

E aprende que você pode ir muito mais longe, mais do que imaginava e que o mundo é muito grande e você ainda tem muito para conhecer, para viajar e viver as mais diferentes experiências, como está vivendo naquele momento.

Conhecer o Staley Park, passear pelo Canadá Place, comer em restaurantes de tudo quanto é país, subir a Rock Mountains, ir a Robson Street, ir a Capilano Bridge, a English Bay, uma infinidade de coisas que se fazendo se percebe que ainda falta muito para fazer.

E, quando volta para casa e encontra seus pais, percebe quanta saudade sentia e não percebia. Percebe que aprendeu muito mais inglês em alguns meses que em anos na escola. Que passeou em alguns meses algo que equivaleria a anos, que conheceu mais pessoas em meses que em anos. Que aprendeu em meses mais do que aprendeu em anos.

Isso é o intercâmbio, uma verdadeira iniciação no âmbito internacional. É deixar de ser o menininho de bairro, para virar um homem do Mundo.

Gregório Garcia Repsold -  Aluno da ELS - Vancouver, Canadá.

 

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